SEMINÁRIO – 12 DE MAIO

KARL MARX: LIVRO A LIVRO (1844-1852)
Seminário quatro: quarta, dia 12 de maio, às 17:00 hs, na sala 08 do prédio das Ciências Sociais

A IDEOLOGIA ALEMÃ (1845-1846)
O livro se organiza em torno do conceito de produção, compreendido em seu sentido geral, como designação de toda atividade humana de formação e transformação da natureza. É a produção de seus próprios meios de existência, atividade simultaneamente pessoal e coletiva (transindividual), que transforma o homem, ao mesmo tempo em que transforma de forma irreversível a natureza e assim constitui a história. (fonte: A filosofia de Marx, de Étienne Balibar, p. 47)

Expositor: ELEUTÉRIO PRADO (FEA-USP)
Eleutério Prado é professor titular de teoria econômica na Faculdade de Economia e Administração da USP. Publicou, entre outros, os seguintes livros: Economia, complexidade e dialética (Plêiade, 2009), Desmedida do valor: crítica da pós-grande indústria (Xamã, 2005).

INTERPRETAÇÕES DO GOVERNO LULA

Por BERNARDO RICUPERO

A eleição de Lula como presidente, em 2002, foi interpretada como equivalendo a uma verdadeira refundação da história brasileira. Como sugeriu Francisco de Oliveira, ela seria comparável a acontecimentos como a Abolição, a Proclamação a República e a Revolução de 1930, com a diferença que, com a vitória do PT, os dominados teriam se tornado, pela primeira vez, protagonistas de nossa política.
Depois de oito anos de governo Lula, poucos ainda entendem sua eleição como uma ruptura. Mesmo assim, as análises mais interessantes da política brasileira atual procuram precisamente interpretar o significado do governo do PT.
Luiz Werneck Vianna sugeriu, pouco depois da reeleição de Lula, que seu governo correspondia, ironicamente, a uma reconciliação com a história política do país. Se o PT havia nascido vinculado a leituras críticas do Brasil, especialmente no que se refere à subalternidade que teria marcado a relação da sociedade civil com o Estado, a prática do seu governo não corresponderia a essas interpretações.
Mais especificamente, a crítica ao populismo teria sido fundamental nos primeiros anos do PT, período durante o qual o partido procurou organizar autonomamente a classe trabalhadora. No entanto, algo similar ao Estado de compromisso, que caracterizaria o pós-1930, teria reaparecido no governo Lula. Nas duas situações, forças sociais contraditórias conviveriam no governo ? como a burguesia industrial e o operariado, o agrobussiness e o MST ? o chefe do poder executivo comportando-se como uma espécie de árbitro que se colocaria acima delas.
Em termos práticos, a representação funcional de interesses voltaria a ganhar importância para além do Parlamento. Em termos de discurso, se recuperaria muitos dos temas do nacional-desenvolvimentismo, em particular, a imagem do Estado como indutor do desenvolvimento.
Oliveira, igualmente depois da reeleição de Lula, passou a caracterizar o governo do PT como uma ?hegemonia às avessas?. Assim como na África do Sul do pós-Apartheid, os dominados teriam assumido a direção moral, mas não a direção intelectual da sociedade. Isto é, nas duas situações se manteriam políticas neo-liberais, com a vantagem delas passarem a ser conduzidas por políticos e partidos com as histórias de Mandela e de Lula, do CNA e do PT.
Em outras palavras, não faria grande diferença que os dominados estivessem à frente do Estado, já que eles seriam incapazes de lhe imprimirem uma nova orientação para ele. Quando muito, o que se teria seria a incorporação de políticas de transferência de renda, que serviriam para despolitizar, se não, funcionalizar a questão da pobreza.
Em termos mais profundos, os dominantes poderiam consentir em serem conduzidos pelos dominados, até porque os últimos já não questionariam a dominação, o consentimento como que passando a dispensar o recurso à força.
Mais recentemente, André Singer tem argumentado que entre a primeira eleição de Lula e sua reeleição houve um deslocamento de seu eleitorado. O candidato do PT teria perdido terreno entre seus eleitores tradicionais, identificados com os setores organizados da sociedade, mas teria compensado essa perda ao passar a ser bem votado por um eleitorado de ?baixíssima renda?, uma espécie de subproletariado. Concomitante com a decepção da classe média com o governo, devido a escândalos como o ?mensalão?, uma parcela significativa da sociedade teria sido beneficiada pela expressiva redução da pobreza.
Num sentido mais amplo, o subproletariado aceitaria a intervenção do Estado na economia, mas temeria a mudança brusca da ordem social. Ou seja, o governo Lula, com sua combinação de política econômica ortodoxa e investimento em programas sociais, teria afinidade com a orientação de eleitores de ?baixíssima renda?. Mas o subproletariado, tal como o campesinato, analisado por Marx em O 18 Brumário, seria incapaz de se fazer representar politicamente, dependendo de uma força que viesse do alto, o Estado.
As interpretações de Werneck Vianna, Oliveira e Singer sobre o governo Lula não são necessariamente contraditórias. As diferenças entre elas dizem respeito mais a ênfases variadas do que a argumentos inconciliáveis.
É verdade que Werneck Vianna acentua a continuidade entre o governo Lula e a história política brasileira, ao passo que Oliveira e Singer ressaltam a novidade do momento atual ? especialmente, a ?hegemonia às avessas? e a representação do subproletariado. Mesmo assim, é possível argumentar que a mudança na base eleitoral de Lula pode favorecer, por exemplo, a reaparição de formas políticas associadas ao chamado populismo. No mesmo sentido, se pode defender que a representação do subproletariado não exclui a ?hegemonia às avessas?. Até porque vivemos, desde o fim do ?socialismo real?, uma situação em que a hegemonia do capital já não é questionada em parte alguma do mundo.
É particularmente interessante como Werneck Vianna e Singer ressaltam como, nos últimos oito anos, o Estado ganhou autonomia diante da sociedade civil. Mais do que uma novidade na história brasileira, tal autonomia representa uma mudança na orientação (societária) do PT. Junto com ela, ganha importância a figura do presidente. Em especial, é Lula que é capaz de servir de árbitro entre interesses conflitantes e falar diretamente com o subproletariado.
Nesse sentido, a principal questão que se coloca para o período pós-Lula é: alguém será capaz de assumir seu lugar, desempenhando os papéis que o atual presidente realiza tão bem? Em outras palavras, vivemos o problema da transferência do carisma…

LeMarx – deliberações da primeira reunião

DELIBERAÇÕES DA PRIMEIRA REUNIÃO DE 2010

Na nossa última reunião foram aprovadas várias deliberações referentes à programação do Laboratório Karl Marx neste primeiro semestre de 2010.

Primeira,
Será oferecido um curso, aberto a todos os interessados e a ser amplamente divulgado, sobre os livros de Marx até 1852. Temos já as seguintes aulas agendadas:

KARL MARX: LIVRO A LIVRO (1844-1852)

Crítica da filosofia do direito de Hegel ? Introdução (1844) Expositor: CELSO FREDERICO (ECA-USP)

A questão judaica (1844)
BERNARDO RICÚPERO (DCP-FFLCH)

Manuscritos econômico-filosóficos (1844)
RUY BRAGA (DS-FFLCH)

A ideologia alemã (1846)
EULETÉRIO PRADO (FEA-USP)

Manifesto do partido comunista (1848)
RICARDO MUSSE (DS-FFLCH)

Discurso sobre o livre câmbio (1848)
LINCOL SECCO (DH-FFLCH)

O 18 Brumário de Luis Bonaparte (1852)
ANDRÉ SINGER (DCP-FFLCH)

Os dois primeiros seminários já estão com a data confirmada: 17 de março e 07 de abril, respectivamente.

Segundo,
O próximo seminário do grupo, no dia 24 de março, debaterá o texto do Prof. André Singer ?Raízes sociais e ideológicas do lulismo?.

Terceiro,
Ficou estabelecido que o III Colóquio ?Karl Marx e os marxismos? será realizado na segunda semana de maio do presente ano. Como sempre, constará de comunicações de estudantes (para a organização dessa parte foi composta uma comissão de pós-graduandos) e de 5 ou mais mesas com três professores. Foram pautadas as seguintes mesas: Crise econômica (a cargo do Eleutério e da Leda); política (André); Daniel Bensaid (Ruy Braga); Gildo Marçal Brandão (Bernardo Ricúpero).

Primeira reunião de 2010

A primeira reunião do LeMarx-USP em 2010 está agendada para o dia 03 de março, quarta-feira, a partir das 16:45, na sala 8 do prédio das Ciências Sociais da FFLCH-USP.

Como sempre, em dois movimentos.

Primeiro precisamos fechar a programação desse semestre. Na última reunião do ano passado ficou combinado que além dos debates quinzenais que terão continuidade nos mesmos moldes, seria oferecido um curso sobre os livros do Marx nas décadas de 1840 e 1850. Esse curso pode, caso haja concordância da maioria, ser oferecido também como seminário temático para os alunos da pós-graduação em sociologia. Além disso, a idéia é fazer o III Colóquio Karl Marx e os marxismos nesse primeiro semestre.

O debate dessa vez será sobre um texto do prof. Ruy Braga que em breve estará disponível no blog, assim como a informação quem serão os debatedores.

LeMarx: Reunião agendada para 24 de novembro

A próxima reunião do LeMarx-USP está agendada para o dia 24 de novembro, na sala 8 do prédio de Ciências Sociais, a partir das 16h30. Este encontro dar-se-á em dois movimentos. A reunião sobre a organização do Laboratório, que tem como pauta principal a determinação das atividades do próximo ano: Colóquio, cursos, debates e grupos de pesquisas. Em seguida haverá debate sobre o texto da professora Leda Paulani acerca do futuro do capitalismo, cujos debatedores (ainda a confirmar) serão os professores André Singer e Jorge Grespan. O texto da professora Leda pode ser baixado aqui.

Após este encontro, já existe outro programado para o dia 1 de dezembro, com palestra do professor Alessandro Octaviani, da Faculdade de Direito da USP, em seguida debatida com os professores, a confirmar, Álvaro Bianchi e Lincoln Secco. Horário e local serão os mesmos da reunião do dia 24 de novembro.

Serão dois os textos para debate, ambos do prof. Alessandro: o artigo “Direito e Hegemonia” (primeira parte disponível aqui e segunda parte, aqui) e a tese de doutoramento “Recursos Genéticos e Desenvolvimento – Os Desafios Furtadiano e Gramsciano”, disponível no repositório de teses da USP.

Ata da Reunião 27.10.2009 às 16h30min no Prédio FEA 2 sala do Complex

Grande parte da reunião foi tomada por uma aula, oferecida por José Paulo Guedes Pinto, que tinha como objetivo oferecer aos participantes conhecimentos básicos de como utilizar o blog para que possamos estabelecê-lo como ferramenta principal de comunicação e divulgação do Laboratório. Nesse sentido, aprendemos como incluir e alterar posts, assim como páginas novas, etc.

Seguiu-se a isso uma discussão acerca dos próximos encontros. Além do evento de lançamento do livro organizado por Ruy Braga e Ricardo Antunes, foi definida uma reunião a qual será realizada no dia 17.11.2009 e será dividida em duas partes. A primeira parte será às 16h30min com a seguinte pauta: programação do Lemarx no próximo ano. A segunda parte, às 17h30min será um debate apresentado pela professora Leda Paulani, tendo como debatedores (a confirmar) os professores Jorge Grespan e André Singer sobre o futuro do capitalismo. O texto da professora Leda Paulani será postado em breve no blog, assim como mais detalhes.

Além da reunião do dia 17.11, deve haver uma outra até o final do ano, provavelmente tendo Alessandro Octaviani como apresentador e debatedores a serem definidos (veja a tese de doutorado dele aqui).